sábado, 8 de dezembro de 2007

Um braço de mulher

Na falta do que ou de tempo para escrever vai um Rubem Braga ae:

"Subi ao avião com indiferença, e como o dia não estava bonito, lancei apenas um olhar distraído a essa cidade do Rio de Janeiro e mergulhei na leitura de um jornal. Depois fiquei a olhar pela janela e não via mais que nuvens, e feias. Na verdade, não estava no céu; pensava coisas da terra, minhas pobres, pequenas coisas. Uma aborrecida sonolência foi me dominando, até que uma senhora nervosa ao meu lado disse que "nós não podemos descer!". O avião já havia chegado a São Paulo, mas estava fazendo sua ronda dentro de um nevoeiro fechado, à espera de ordem para pousar. Procurei acalmar a senhora.

Ela estava tão aflita que embora fizesse frio se abanava com uma revista. Tentei convencê-la de que não devia se abanar, mas acabei achando que era melhor que o fizesse. Ela precisava fazer alguma coisa, e a única providência que aparentemente podia tomar naquele momento de medo era se abanar. Ofereci-lhe meu jornal dobrado, no lugar da revista, e ficou muito grata, como se acreditasse que, produzindo mais vento, adquirisse maior eficiência na sua luta contra a morte.

Gastei cerca de meia hora com a aflição daquela senhora. Notando que uma sua amiga estava em outra poltrona, ofereci-me para trocar de lugar, e ela aceitou. Mas esperei inutilmente que recolhesse as pernas para que eu pudesse sair de meu lugar junto à janela; acabou confessando que assim mesmo estava bem, e preferia ter um homem — "o senhor" — ao lado. Isto lisonjeou meu orgulho de cavalheiro: senti-me útil e responsável. Era por estar ali eu, um homem, que aquele avião não ousava cair. Havia certamente piloto e co-piloto e vários homens no avião. Mas eu era o homem ao lado, o homem visível, próximo, que ela podia tocar. E era nisso que ela confiava: nesse ser de casimira grossa, de gravata, de bigode, a cujo braço acabou se agarrando. Não era o meu braço que apertava, mas um braço de homem, ser de misteriosos atributos de força e proteção.

Chamei a aeromoça, que tentou acalmar a senhora com biscoitos, chicles, cafezinho, palavras de conforto, mão no ombro, algodão nos ouvidos, e uma voz suave e firme que às vezes continha uma leve repreensão e às vezes se entremeava de um sorriso que sem dúvida faz parte do regulamento da aeronáutica civil, o chamado sorriso para ocasiões de teto baixo.

Mas de que vale uma aeromoça? Ela não é muito convincente; é uma funcionária. A senhora evidentemente a considerava uma espécie de cúmplice do avião e da empresa e no fundo (pelo ressentimento com que reagia às suas palavras) responsável por aquele nevoeiro perigoso. A moça em uniforme estava sem dúvida lhe escondendo a verdade e dizendo palavras hipócritas para que ela se deixasse matar sem reagir.

A única pessoa de confiança era evidentemente eu: e aquela senhora, que no aeroporto tinha certo ar desdenhoso e solene, disse suas malcriações para a aeromoça e se agarrou definitivamente a mim. Animei-me então a pôr a minha mão direita sobre a sua mão, que me apertava o braço. Esse gesto de carinho protetor teve um efeito completo: ela deu um profundo suspiro de alívio, cerrou os olhos, pendeu a cabeça ligeiramente para o meu lado e ficou imóvel, quieta. Era claro que a minha mão a protegia contra tudo e contra todos, estava como adormecida.

O avião continuava a rodar monotonamente dentro de uma nuvem escura; quando ele dava um salto mais brusco, eu fornecia à pobre senhora uma garantia suplementar apertando ligeiramente a minha mão sobre a sua: isto sem dúvida lhe fazia bem.

Voltei a olhar tristemente pela vidraça; via a asa direita, um pouco levantada, no meio do nevoeiro. Como a senhora não me desse mais trabalho, e o tempo fosse passando, recomecei a pensar em mim mesmo, triste e fraco assunto.

E de repente me veio a idéia de que na verdade não podíamos ficar eternamente com aquele motor roncando no meio do nevoeiro - e de que eu podia morrer.

Estávamos há muito tempo sobre São Paulo. Talvez chovesse lá embaixo; de qualquer modo a grande cidade, invisível e tão próxima, vivia sua vida indiferente àquele ridículo grupo de homens e mulheres presos dentro de um avião, ali no alto. Pensei em São Paulo e no rapaz de vinte anos que chegou com trinta mil-réis no bolso uma noite e saiu andando pelo antigo viaduto do Chá, sem conhecer uma só pessoa na cidade estranha. Nem aquele velho viaduto existe mais, e o aventuroso rapaz de vinte anos, calado e lírico, é um triste senhor que olha o nevoeiro e pensa na morte.

Outras lembranças me vieram, e me ocorreu que na hora da morte, segundo dizem, a gente se lembra de uma porção de coisas antigas, doces ou tristes. Mas a visão monótona daquela asa no meio da nuvem me dava um torpor, e não pensei mais nada. Era como se o mundo atrás daquele nevoeiro não existisse mais, e por isto pouco me importava morrer. Talvez fosse até bom sentir um choque brutal e tudo se acabar. A morte devia ser aquilo mesmo, um nevoeiro imenso, sem cor, sem forma, para sempre.

Senti prazer em pensar que agora não haveria mais nada, que não seria mais preciso sentir, nem reagir, nem providenciar, nem me torturar; que todas as coisas e criaturas que tinham poder sobre mim e mandavam na minha alegria ou na minha aflição haviam-se apagado e dissolvido naquele mundo de nevoeiro.

A senhora sobressaltou-se de repente e muito aflita começou a me fazer perguntas. O avião estava descendo mais e mais e entretanto não se conseguia enxergar coisa alguma. O motor parecia estar com um som diferente: podia ser aquele o último e desesperado tredo ronco do minuto antes de morrer arrebentado e retorcido. A senhora estendeu o braço direito, segurando 0 encosto da poltrona da frente, e então me dei conta de que aquela mulher de cara um pouco magra e dura tinha um belo braço, harmonioso e musculado.

Fiquei a olhá-lo devagar, desde o ombro forte e suave até as mãos de dedos longos. E me veio uma saudade extraordinária da terra, da beleza humana, da empolgante e longa tonteira do amor. Eu não queria mais morrer, e a idéia da morte me pareceu tão errada, tão feia, tão absurda, que me sobressaltei. A morte era uma coisa cinzenta, escura, sem a graça, sem a delicadeza e o calor, a força macia de um braço ou de uma coxa, a suave irradiação da pele de um corpo de mulher moça.

Mãos, cabelos, corpo, músculos, seios, extraordinário milagre de coisas suaves e sensíveis, tépidas, feitas para serem infinitamente amadas. Toda a fascinação da vida me golpeou, uma tão profunda delícia e gosto de viver uma tão ardente e comovida saudade, que retesei os músculos do corpo, estiquei as pernas, senti um leve ardor nos olhos. Não devia morrer! Aquele meu torpor de segundos atrás pareceu-me de súbito uma coisa doentia, viciosa, e ergui a cabeça, olhei em volta, para os outros passageiros, como se me dispusesse afinal a tomar alguma providência.

Meu gesto pareceu inquietar a senhora. Mas olhando novamente para a vidraça adivinhei casas, um quadrado verde, um pedaço de terra avermelhada, através de um véu de neblina mais rala. Foi uma visão rápida, logo perdida no nevoeiro denso, mas me deu uma certeza profunda de que estávamos salvos porque a terra existia, não era um sonho distante, o mundo não era apenas nevoeiro e havia realmente tudo o que há, casas, árvores, pessoas, chão, o bom chão sólido, imóvel, onde se pode deitar, onde se pode dormir seguro e em todo o sossego, onde um homem pode premer o corpo de uma mulher para amá-la com força, com toda sua fúria de prazer e todos os seus sentidos, com apoio no mundo.

No aeroporto, quando esperava a bagagem, vi de perto a minha vizinha de poltrona. Estava com um senhor de óculos, que, com um talão de despacho na mão, pedia que lhe entregassem a maleta. Ela disse alguma coisa a esse homem, e ele se aproximou de mim com um olhar inquiridor que tentava ser cordial. Estivera muito tempo esperando; a princípio disseram que o avião ia descer logo, era questão de ficar livre a pista; depois alguém anunciara que todos os aviões tinham recebido ordem de pousar em Campinas ou em outro campo; e imaginava quanto incômodo me dera sua senhora, sempre muito nervosa. "Ora, não senhor." Ele se despediu sem me estender a mão, como se, com aqueles agradecimentos, que fora constrangido pelas circunstâncias a fazer, acabasse de cumprir uma formalidade desagradável com relação a um estranho - que devia permanecer um estranho.

Um estranho — e de certo ponto de vista um intruso, foi assim que me senti perante aquele homem de cara desagradável. Tive a impressão de que de certo modo o traíra, e de que ele o sentia.

Quando se retiravam, a senhora me deu um pequeno sorriso. Tenho uma tendência romântica a imaginar coisas, e imaginei que ela teve o cuidado de me sorrir quando o homem não podia notá-lo, um sorriso sem o visto marital, vagamente cúmplice. Certamente nunca mais a verei, nem o espero. Mas o seu belo braço foi um instante para mim a própria imagem da vida, e não o esquecerei depressa."

Rubem Braga

O texto foi publicado no livro “Os melhores contos – Rubem Braga”, seleção de Davi Arrigucci Jr., Global Editora – São Paulo, e selecionado por Ítalo Moriconi para compor o livro “Os cem melhores contos brasileiros do século”, Editora Objetiva – Rio de Janeiro, 2000, pág. 169.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A importância da Terceira via

Tem gente que acha que é moderno, mas está atrasado no mundo. Como um bom social-democrata, creio num Brasil de igualdade e justiça social, com a preservação das liberdades humanas. Acredito também que o jogo político pode sim trazer mudanças, um jogo transparente que valorize e respeite a sociedade civil organizada.

A sociedade civil organizada, ou o que eu chamei num trabalho sobre Teoria do Estado de "Segmentos Organizados da Sociedade" deve estar sempre em constante atualização, entretanto, um dos segmentos mais importantes o Movimento Estudantil está parado no tempo.

Toco nesse assunto agora, pois sou estudante da UFPR, e estamos tendo eleições do DCE –Diretório Central do Estudantes-. Duas chapas estão concorrendo: "Sonhos não envelhecem" a chapa da velha militância, muitas vezes penso que as pessoas desse grupo estariam felizes apenas quando um milico na década de 60 os torturasse em troca de informações comunistas e eles como grandes mártires resistiriam bravamente até o fim! Mas, infelizmente, para os jovens ligados à este movimento, a ditadura acabou e, não há um grande inimigo para se lutar contra. Os membros dessa chapa são os nossos queridos companheiros do PSOL, PSTU, alguns comunas revoltados com a atual política do PT, mas ainda assim estão no PT e a calourada, que acha que está na "luta por algo maior", o Jabor deve entender muito bem o sentimento desse povo. A outra chapa (da situação) –"Agora só falta você"-, diferentemente do que anunciado no ano passado, não significa nada de novo no Movimento Estudantil. Digo isso, pois as lideranças da chapa são membros ligados ao campo majoritário do PT, não é novidade a ninguém que desde a reabertura política em 1985 que o PT vem aparelhando o Movimento Estudantil. No caldo que leva o nome da música da Maria Rita ainda temos a grande contribuição de Comunistas da JR, jovens ligados ao PMDB paranaense, ou seja, amiguinhos do nosso Governador Roberto Requião e para contemplar temos também jovens tucanos! Isso jovens tucanos, que na falta de articulação da nossa juventude se vêm acuados e acabam se ligando a tal tipo de política.

A briga continuará a mesma, sempre os mesmos lutando pelo DCE, uma militância de 200 pessoas numa Universidade com mais de 20000 estudantes. Ainda no meu trabalho sobre Teoria do Estado eu citei: "A população como um todo não tem um sentimento próprio de classe organizada, não há o sentimento de "explorado" e "explorador", principalmente por parte dos explorados. Assim é possível afirmar que, ao longo da história não existiu (nem existe) uma classe organizada, portanto não existiu (nem existe) a luta de classes. O que sim existiu (e existe!) é a sociedade se organizando".

O Movimento Estudantil é como Fernando Henrique Cardoso chama, um "mecanismo de transmissão", creio que o principal segregador da sociedade é a falta de informação. Com o Movimento Estudantil aparelhado e parado no tempo, o Segmento Organizado da Sociedade não cumpre o seu papel. Na nota da CELU sobre o REUNI, fui muito feliz ao dizer que a divisão e de ineficiência do ME está diretamente ligado ao aparelhamento do ME.

Nessa hora que se faz importante uma "Terceira via", com uma visão diferente de Movimento estudantil, que vise antes de qualquer coisa, o acesso democrático às informações, sem haver sua manipulação, comum com o ME aparelhado.

Está chegando a hora de uma grande mudança no ME de Curitiba, a juventude social-democrata está chegando, uma juventude com uma visão moderna de mundo, entretanto sem nunca perder em mente o foco do ideal, pois, como John Kennedy disse: "O homem pode morrer, nações podem subir e tombar, um ideal, porém, vive sempre, os ideais jamais morrem".

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Um textinho do Jabor aos nossos queridos pseudo-comunas e petistas de plantão

"Como era bom nosso comunismo....

Eu devo ter assistido a umas mil horas de reuniões dee esquerda em minha vida. Fui comunista dee carteirinha no PCB, de onde saí para um grupo "independente", mais modedrno, cognominado, claro, pelos velhos pecebões de "Grupo Vertigem - pequeno-burgês e revisionista".
Dentro do PCB, nossa mania era das reuniões sem sim - o assembleísmo. Falo dessas coisas remotas porque esse é um dos males que assimbram o PT no poder. Discutíamos infinitamente para chegfar a uma certeza da qual partíamos. Esse é o drama das ideologias: chegar a uma conclusão que já existe desde o início.
Mas me lembro com saudadee daquelas noites dos meus românticos vinte anos.
Fumávamos muito, malvestidos, duros, planejando ações ambiciosíssimas como, por exemplo, instalar o socialismo no país, sem armas, sem apoio indical ou militar, tudo na base do deesejo. Ninguém precisava estudar, pois a verdade estava do nosso lado. O ideologismo justificava a ignorância.
Eu olhava meus conmapnheiros nas reuniões infinitas e pensava: "'Como vamos conquistar o poder fumando mata-ratos, reunidos nesse quarto-e-sala imundo, com sofá-cama esfiapado, como vamos dominar o Brasil, sem nada?" Mas ficava quieto, com medo dee ser chamado de "vacilante".
No entanto, como era delicioso sentir-se importante, como era bom conspirar contra tudo, desde o papai-reaça até a invesão do imperialismo ianque. Tudo nos parecia claro, os oradores surfavam em meia dúzia de palavras que eram a chave da tal "realidade brasileira": burguesia nacional, imperialismo, latifúndio, proletariado, campesinato etc. Nossa tarefa de comunistas era nos infiltrar "em todos os nichos da cosiedad" para, de dentro conquistar o poder. Exatamente como o PT está fazendo hoje - empregando milhares de compaheiros aguerridos e "puros" dentro do aparelho do Estado. Tínhamos de nos infiltrrar em sindicatos, universidades e - coisa que me deeprimia especialmente - em "associações de bairro", onde eu me via doutrinando donas de casa da Tijuca sobre as virtudes do marxismo.
E todos os argumentos iam se organizando "dialeticamente" enquanto a madrugada embranquecia. Até que chegava a hora fatal: "O que fazer?" E aí... ninguém sabia nada. Na hora da solução, o branco. E tudo se esvaía porque os "fins" eram muito claros, mas os "meios" nos eram inacessíveis. Eu saía nas madrugadas, sol já raiando, e olhava os operários indo para o trabalho, fracos, ignorantes, e sorria de esperança; depois, olhava os prédios altos, o poder físico da cidade, e me arrepiava de terror: "Como poderemos desconstruir isso tudo?" E sentia o tremor da loucura.
E aí, sem soluções, pintava o desespero. as acusações mútuas cresciam, mas até os xingamentos eram previstos na cartilha marxista: acusávamo-nos de "hisitantes" ou "radicais" ou "sectários" ou "pequeno-burgueses" ou "alienados" ou "provocadores" ou "obreiristas" ou "aventureiros" ou "liberais" ou o diabo a quatro. E eu, no meu canto neurótico, pensava: "Não ocorre a ninguém que há também os invejosos, os ignorantes, os mentirosos, os paranóicos, os babacas e os filhos da puta?" Por que ninguém via o óbvio? marx sufocava Freud.
Até hoje, esses vícios ainda travam a velha esquerda, misto de ignorância com arrogancia.
Mas eu ainda gemo: que saudades do comunismo!... Esse surto de lininismo que incendiou a alma simples dos petistas ultimamente, esse ataque recente à "democracia burguesa" que o governo de Lula lançou contra a sociedade, me despertou uma profunda saudade.... Ah, como era gostoso o nosso comunismo....
Eu andava malvestido, com minha testa alta, barba leninista, assim feito o Genoino (Genoino, mesmo de frente, está sempre de perfil, aspirando a ser medalha). Eu era comuna assim como o Luís Gushiken (ele é a cara do Ho Chi minh) que, depois de aparelhar os fundos de pensão e os bancos, dedclarou com charme leninista que a "liberdade não é absoluta", lembrando-me (ohhhh delícia!) do tempo em que eu citava Lenin em francês: "La Liberté, pour quoi faire?" ("Liberdade, pra quê?")
Era bom ser superior a um mundo povoado de "burgueses, caretas e babacas", como eu classificava a humanidade. E todo esse charme vinha sem esforço; bastava ler um ou outro livrinho da Academia da URSS, decorar meia dúzia de slogans e pronto, eu podia andar com minha camisa de marinheiro aberta ao vento, olhando a população de "alienados", em suas vidas medíocres, pois meu mundo era mais além.
Ahhh.... que saudades das sacanagens de esquerda, quando eu cortejava as meninas sem a maquiagem burguesa, a quem eu lançava a cantada infalível: "Não seja 'pequeno-burguesa' e entra aí no 'aparelho', meu bem..." Lembro também a noite mágica em que declarei a uma namorada que "nosso amor também eera uma forma ded luta contra o imperialismo".
Ahhh.... como eu amava os operários, futuro da humanidade. Nas oficinas do jornal comuna que eu fazia, crivava-os de perguntas e e agrados, sendo que os ditos operários ficavam desconfiados de tanto amor e pensavam que eu era veado e não um fervoroso comunista...
Como me alegrei quando Mao Tsé-tung proibiu Beethoven na Revolução Cultural, pensando: "Claro, temos que raspar tudo que a burguesia inventou e começar de novo": um mundo novo agrícola com homens fardados de cinza, rindo felizes.
Ahhh.... como era bom ignorar as neuroses pequeno-burguesas, pois eu não era um deprimido nem narcisista nem nada; eu era apensa um comunista saudável como um cartaz de balé chinês. Amava as reuniões secretas, as discussões sem fim: "questão de ordem companheiro!", "o companheiro está numa posição revisionista" ou "a companheira está sendo reacionária em não querer dar pra mim".
E a beleza de não ter um tostão e pedir dinheiro à mãe para comprar Marlboro de contrabando (meu secreto pecado), não ter um puto e se orgulhar disso, na convivênia dos botequins, olhando os operários e pensar, no cafezinho: "um dia eles serão 'homens totais´, 'sujeitos da história' ", enquanto os mendigos vomitavam no meio-fio, gente que eu chamava com desprezo culto de "lumpens".
Que saudadeds.... Tudo era possível - bastava convencer o proletariado que os burgueses malvados, aliados ao latifúndio improdutivo e dominados pelo imperialismo americano, eram a causa de seus males, pois então os proletários conscientizados tomariam o podedr, organizados por nós, e tudo seria perfeito e bom.
E depois, quando a barra pesou de 68 em diante, mesmo na tragédia daqueles dias, senti a delícia meio religiosa de ser uma vítima "santificada" da violência da direita.
Era bom... era lindo... Por isso, quando vejo o comissário da Casa Civil, Dirceu, comandando essa volta ao passado, essa retomada do bolchevismo no governo PT, não me horrorizo, nem denuncio, como fazem esses jornalistas burgueses neo-liberais vendidos aos patrões. Ao contrtário, tenho vontade de chorar...."
Arnaldo Jabor
que coisa não.... hauhauhuahuahua

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Rodada do final de semana

Pois é.... Quem diria (nem eu diria) que o Timão iria ganhar do Santos de Luxemburgo com direito à torcida gritando "olé"? Com muita raça, grande atuação da defesa e principalmente com grande inspiração do jovem candidato a ídolo da Fiel, Felipe, o Coringão venceu a apática equipe santista.
Já o os líderes São Paulo e Cruzeiro estão com tudo! O São Paulo segurou o artilheiro do campeonato, Josiel, e ainda por cima fez seis no Paraná; a equipe paranaense tentará se recuperar diante do frágil Náutico na Vila, quem sabe Josiel faz as pazes com o gol. Para a alegria de Aécio Neves, o time celeste de BH passeou contra o Palmeiras, que, abdicou de jogar bola no domingo no Mineirão.
Vasco e Fluminense fizeram um grande clássico no Maracanã, e como disse o treinador vascaíno Celso Roth o Fluzão "achou um gol", mas Roth esqueceu de dizer que o gol se originou graças à grande jogada individual do jovem em grande fase Tiago Neves.
Em um jogo morno em Curitiba, o Furacão venceu o Galo e deixou para o Flamengo, que bobeou no sábado contra o Sport, a última vaga da segundona.
Mas a decepção da rodada (e talvez do Brasileirão) foi o Inter, que cedeu o empate ao Náutico, após Cristhian perder um penalti.
A próxima rodada vem aí.... O Timão deverá tem um tranquilo encontro contra o medíocre e virtual rebaixado América, no Pacaembú. O São Paulo terá um encontro complicado no Mineirão, contra o Galo mineiro, mas segurando o ímpeto inicial da equipe do técnico Leão, certamente embalada pela animada Galoucura, o Tricolor Paulista pode sair com uma vitória simples.
O jogo da rodada e dica aos amantes do futebol fica para o jogo do Olímpico Grêmio e Vasco.

Façam as apostas.... e agora são todos (principalmente o Cruzeiro) contra o São Paulo, já diria o prolixo Galvão Bueno: "Haja coração!"

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Brasileirão

Pois é... eu havia comentado que o meu Coringão brigaria pela vaga na Libertadores e queimei a língua. O Timão perdeu o rumo, se mostrou um time desorganizado, o time ia bem até quando a equipe se fechava bem e partia rapidamente para os contra-ataques com Willian e Ewerton, a exemplo do Palmeiras, que consciente das suas limitações utiliza tal tática. A partir do momento que o Corinthians começou a achar q tinha uma seleção e partiu pro ataque, o Timão começou a cair.
Os grandes exemplos estão nos grandes rivais (Palmeiras e São Paulo) as equipes apostaram em uma defesa sólida e em contra-ataques rápidos, o São Paulo ainda tem o trunfo das bolas paradas com Jorge Wagner e Rogério Ceni.
Cruzeiro e Botafogo tem ataques devastadores, mas falta algo na defesa destas equipes. O Fogão sonha com um goleiro como Felipe do Timão, enquanto o estrelado time de BH ainda procura um substituto para seu antigo capitão Edu Dracena.
O Vascão, é naquele esquema, imbatível em São Januário (que aliás foi condenado pela justiça a ir a leilão) e fora de casa faz partidas sofríveis como a do final de semana contra o Sport.
Como estou em Curitiba não posso deixar de comentar as equipes paranaenses (da primeira divisão). O Paraná, desde o ano passado digo que é o melhor time do estado, mas a equipe sofre com a falta de regularidade da sua defesa, talvez um volante mais pegador ajude a dar mais segurança ao pantera Flávio. Já o Atlético... como eu disse hoje, "meia boca" é um bom termo para definir essa equipe. Atacantes medíocres, no meio o Ferreira jogando sozinho enquanto o Allan Bahia parece que ainda está em choque pelo acidente do começo do mês e a defesa mal posicionada. Ney Franco terá muito trabalho, quem sabe a solução da equipe seja o 3-5-2, dando mais liberdade ao Allan Bahia para chegar junto ao Ferreira na armação da equipe. Já o Ramón, pode ficar no banco que é um grande feito, um belo ex-jogador em atividade.

É isso aí....


abração a todos!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Letra da música "Marcianos" do Relespública....

"Sempre um disco voador
Aparece na janela e vem buscar
Algumas informações
Sobre a vida aqui na Terra
Digo: Tudo está em paz!
Os terráqueos já não erram tanto
Vivendo em harmonia, não existem guerras mais.
Os marcianos não se deixam enganar!
Os marcianos não se deixam enganar!
E do disco voador
Dão um show de raios, luzes, fantasias...
Mostram como vivem lá
O universo é uma grande família
Penso: - Nada vai mudar!
Cada um... é uma pequena ilha
Não podemos nos juntar
E os visitantes voltam tristes pro seu lar"

pois é, essa música é um puxãozinho de orelha em todos nós!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Poesia da vida

Se procurar bem você
acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa)
da vida,
Mas a poesia (inexplicável)
da vida.
Carlos Drumound de Andrade

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Coringão

Pois é, quem diria que o Timão ia meter três coco na cabeça do Cruzeiro (falando nisso saudações aos meus queridos cruzeirenses, em especial o Governador de Minas Aécio Neves, o Secretário nacional da JPSDB Geovani Pereira e meus primos de BH, Júnior e Vivi Moraes), então voltando ao assunto inicial, o Coringão venceu e convenceu (que clichê de boleiro!) em pleno Mineirão, eu até estava com saudade!
Sou contra à Oligarquia Dualib no Todo Poderoso, mas foram acertadas as contratações do Everton e do Felipe principalmente, o goleiro eu acompanho desde o Paulistão 2006 quando ele se destacou e já havia virado herói pra torcida do Braga, quero lembrar do jogo Bragantino 0 X 0 Guarani, jogo que fui ver no Marcelo Stéfani e susperei ao ver a grande promessa que estava na meta bragantina! Me lembro de falar ao meu grande amigo Robinho "bem que o Corinthians poderia levá-lo à Fazendinha", parece que alguém lá no Parque São Jorge ouviu a mim e a todos os corinthianos de Bragança que viram o Felipe jogar.
Sei que ainda estamos na segunda rodada do Brasileirão e que sou um corinthiano literalmente doente, mas esse time promete brigar pela Libertadores se trouxer alguns reforços para a manutenção de elenco, pois o Brasileirão é um campeonato longo e com certeza não só o Timão mas todos sofrerão com lesões e cartões; e promete também, se a equipe mantiver o nível da exibição contra Cruzeiro, muito bem postada defensivamente, contra-ataque rápido e objetiva.
Ressalto que o Vampeta se encaixa muito bem no lugar do Rosinei, nada contra o garoto, mas acho que ele quer correr demais com a bola ao invés de fazer a bola correr e isso o prejudica um pouco, além disso o velho Vamp é o caçador de Bambis né, esse tabu já passou do tempo de cair, e com ele os bambis vão perder no próximo encontro!

VAI CORINTHIANS, VAI E NÃO PÁRA DE LUTAR!

O que eu estou fazendo aqui?

Pois é, eu que sempre disse "não vou perder tempo com essas coisas" agora estou perdendo (e muito) criando esse blog, na verdade eu deveria estar preparando meu seminário sobre o capítulo 5 do livro "Escravos, roceiros e rebeldes" para a matéria de Brasil I da facu, mas, estou aqui escrevendo merda para outros que não têm o que fazer também lerem (ou não). Na verdade não espero e nem quero que esse blog aqui faça muito sucesso e nem que seja lido por muitos, até porque eu nem vou escrever muitas coisas novas aqui, muito provavelmente 90% do que estarei publicando deverá ser poesias, reportagens e textos acadêmicos, sei lá, quando eu escrever aqui provavelmente estarei reclamando da minha vida, uma homenagem a alguém especial e com certeza falarei muito sobre futebol e política minhas duas paixões (além das mulheres claro).
Sejam todos e se quiserem podem xingar, falar merda, discutir e até (se eu quiser claro) iniciar alguma amizade ou reforçar alguma, mas como eu acho que ninguém vai ler essa bumba então, muito provavelmente não vai rolar nada disso.