segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A vitória dos pelegos. Por Lúcia Hippólito

O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.

Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.

Tudo muito chique, conforme o figurino.

E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?

Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.

Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.

Cavando benefícios para os seus.

Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um texto sobre a galera da Reitoria, Mafalda, Wonka e afins...

MEIO INTELECTUAL, MEIO DE ESQUERDA...

por Antonio Prata (www.blogdoantonioprata.blogspot.com):

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na imprensa descolada de caderno cultural como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.

Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de carro mil novo e celular na mão. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a imprensa descolada de caderno cultural, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando música baiana muderrrrna. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, não! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de celular e a imprensa descolada de caderno cultural sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos. Pra desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sul maravilha e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

Ô Betão vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas (muito mais caras que uísque), quais que têm?

Fonte: Zé Beto

Decolagem autorizada!


Fonte: Zé Beto

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Rossoni continua na Presidência do PSDB paranaense e Affonso Camargo assume a Secretaria Geral


Terminou a reunião da direção nacional do PSDB com os tucanos da terra para decidir o futuro do partido no Paraná. Prevaleceu a tese do partido forte, coeso em suas bases, que terá candidato próprio ao governo e que vai montar um forte palanque para a disputa presidencial.

Valdir Rossoni continua na presidência. Luis Carlos Hauly deixa a secretaria geral para Affonso Camargo, mudança que este blog antecipou há dias. Agora, está aberto o caminho para a candidatura de Beto Richa ao governo em 2010. A seguir, leia a nota oficial do presidente nacional do PSDB

“Nota do PSDB

A executiva nacional do PSDB decidiu prorrogar o mandato dos atuais dirigentes do partido no Paraná, com a entrada do deputado federal Affonso Camargo para ocupar o cargo de secretário geral.
A decisão foi tomada por amplo entendimento entre as lideranças tucanas no Estado, envolvendo as bancadas de deputados federais e estaduais e, destacadamente, o senador Álvaro Dias e o prefeito Beto Richa.

Brasília, 19 de agosto de 2009.

Senador Sergio Guerra
Presidente Nacional do PSDB”

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Em meio à crise, Lula propõe concessão de rádio a filho de Renan


Em plena crise no Senado, o presidente Lula encaminhou ao Congresso o processo para aprovação de uma concessão de rádio FM para a família de Renan Calheiros, líder do PMDB e um dos comandantes da tropa de choque para a manutenção de José Sarney na presidência da Casa.

Lula enviou a mensagem ao Congresso na sexta, um dia após violento bate-boca, no plenário, entre Renan e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Renan nega ter influenciado a tramitação. O senador não figura como acionista da JR Radiodifusão, mas sim seu filho, José Renan Calheiros Filho, prefeito de Murici (AL). O principal acionista, Carlos Ricardo Santa Ritta, é assessor de Calheiros no Senado. Outro acionista, Ildefonso Tito Uchoa, também foi seu assessor no Senado.


Fonte: Folha On line

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O que move o ser humano?

Na última semana tive a oportunidade de assistir o filme de Sergei Bodrov O Guerreiro Genghis Khan (Mongol), que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008. O filme é mais um daqueles de batalhas épicas, com destaque para os Khan´s vistos como estrategistas, principalmente no caso do protagonista Temüjin.

Em suma, o filme acompanhaa história de Temüjin, a partir de seu nascimento nas estepes em 1192. Filho do khan (líder) local, Temüjin precisa aprender cedo a sobreviver sozinho, depois que o pai é envenenado e traído pelos seus comandados. Formando aliados e fazendo inimigos, perdendo e ganhando batalhas, Temüjin se torna, 20 anos depois, um grande líder tribal.

Críticos interpretam o filme como uma mensagem ao mundo que o Uzbequistão foi (e é) muito mais do que o país de Borat. Alguns também observam a nostalgia russa da dissolução do império soviético. A despeito dos paralelismos políticos e históricos meu enfoque é outro.

Genghis Khan foi visto por muitos como um terrível aniquilador de adversários, um dos maiores genocidas da história do mundo. Bodrov, contudo, traça um retrato simpático do mito, e, o que mais me chamou a atenção é que a motivação demonstrada por Temüjin, que pode ser resumida uma cena: assim que resgatado de uma jaula pela esposa, Temüjin comenta que já tem os nomes dos próximos filhos em mente, então a companheira comenta que os mongóis não respeitam mais as tradições de guerra e que a insegurança tomou conta de todos. É aí que Temüjin se levanta a fim de rearticular seu grupo e ir para guerra contra o grupo dominante entre os mongóis.

Temüjin teria sido movido pelo ideal de unificação dos mongóis, tal unificação permitiria, finalmente, que ele tivesse paz com sua esposa. Quando Temüjin vai pra guerra, ele, como narrador-personagem, fala das leis que deseja implementar entre os mongóis.

Estou longe de ser um bom graduando em história. Meu conhecimento é ainda menor em antropologia, psicologia e quaisquer outras "ias" que vou dar um pitaco. Mas esse é meu blog, então publico a besteira que eu quiser aqui!

O que move o homem é o ideal. Quando falo aqui em ideal, podemos dizer não apenas coisas bonitas, como o ideal de uma sociedade justa e igualitária (bom seria se todos pensassem assim), falo também que, o que pode mover o ser humano é o ideal do seu próprio umbigo.

Certa vez eu li que ter um ideal é o mesmo que sonhar acordado. Tem gente que sonha em ter uma bela casa apartamento, tem gente que sonha ter um carro do ano, tem gente que sonha com posições, cargos (isso não é crime). De certa forma, somos todos idealistas. O grande xis da questão está na seguinte pergunta: canalizaremos nossos ideais para o bem comum ou para o nosso próprio umbigo?


Se quisermos morar em uma cidade mais segura, com boa educação, com menos poluição, enfim, um ambiente saudável para toda a coletividade, devemos canalizar nossos ideais para o bem comum, e certamente o nosso umbigo e o do próximo também estarão a salvo!

O ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy disse certa vez que "o homem pode morrer, nações podem subir e tombar, um ideal, porém, vive sempre, os ideais jamais morrem." Acho que ele não estava falando sobre ideais egocêntricos né?