quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Discurso na Cerimônia de Posse da Gestão 2009/2010 da CELU

Neste momento estamos diante de uma grande tarefa, grato pela confiança que vocês depositaram em todos nós, ciente dos sacrifícios suportados pelos celuenses que por aqui passaram nesses 40 anos de história. Agradeço ao Deivid Leandro pelos serviços que prestou à Casa, assim como pela generosidade e a cooperação de todos os membros da gestão 2008/2009.

Outros 38 celuenses já sentiram a responsabilidade histórica que pela segunda vez terei. Presidentes que em cerimônias de posse do passado, já pronunciaram discursos durante marés ascendentes de prosperidade. Mas de vez em quando o discurso de posse é feito entre nuvens carregadas e tempestades violentas. Nesses momentos, a CELU seguiu em frente não apenas por causa da visão ou da habilidade dos que ocupavam cargos, mas porque nós celuenses permanecemos fiéis aos ideais do nosso fundador, o Pr. Richar Wangen.

Assim foi. Assim deve ser para esta geração de celuenses.

Que temos muitos desafios é bem sabido. Nossas finanças estão frágeis, nossos auxiliares nos dão trabalho, talvez isso seja, uma conseqüência do individualismo e da irresponsabilidade de alguns, mas também de nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar a CELU para uma nova era.

Esses são indicadores de crise. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o desgaste da confiança em todo o nosso sistema, há um temor persistente de que o declínio da CELU é inevitável, e que a próxima geração deve reduzir suas perspectivas.

Hoje eu lhes digo que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão resolvidos facilmente ou em um curto período de tempo, ou em até mesmo uma única gestão. Mas CELU, saiba disto: eles serão resolvidos.

Neste dia, estamos reunidos porque escolhemos a esperança acima do medo, a unidade de objetivos acima do conflito e da discórdia.

Neste dia, viemos proclamar o fim dos conflitos mesquinhos e das picuinhas, das brigas internas e dos dogmas desgastados, que por tanto tempo estrangularam nossa Casa.

Chegou o tempo de por de lado as coisas infantis. Chegou o tempo de reafirmar nosso espírito resistente; de escolher nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre idéia, transmitida de geração em geração: a promessa dada por Deus de que todos são iguais, todos merecem a oportunidade de perseguir sua plena medida de felicidade, que no nosso caso é dar condições a estudantes em risco social de estudar decentemente e concluir o curso superior, algo que poucos tem oportunidade neste país.

Ao reafirmar a grandeza de nossa Casa, compreendemos que a grandeza nunca é um fato consumado. Deve ser merecida. Nossa jornada nunca foi de tomar atalhos ou de nos conformar com menos. Não foi um caminho para os fracos de espírito, para os que preferem o lazer ao trabalho. Foram, sobretudo, os que assumem riscos, os que fazem coisas, homens que em seu labor, que nos levaram pelo longo e acidentado caminho rumo à esta reunião de hoje.

Por nós, dedicaram seu suor, tempo e seus poucos bens, essas pessoas que vieram do interior do Paraná, de outros estados e em alguns casos atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.

Incansavelmente, esses homens, se sacrificaram e trabalharam para que tivéssemos uma CELU melhor. Eles viam a CELU como algo maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento, curso ou faculdade.

Esta é a jornada que continuamos hoje. Me perdoem os representantes de nossas co-irmãs, ainda somos a melhor Casa de Estudantes do Brasil. Nossos auxiliares não são menos produtivos do que os do passado. Nossos diretores não são menos criativas do que no passado. Nossa capacidade continua grande. Mas nosso tempo de repudiar mudanças, de proteger interesses individuais e de protelar decisões desagradáveis, esse tempo certamente já passou. A partir de hoje, devemos nos reerguer, sacudir a poeira e começar novamente o trabalho construir uma nova história para a CELU.

Para todo lugar aonde olharmos há trabalho a ser feito. A situação das nossas finanças pede uma ação ousada, e vamos agir. Vamos atrás de melhorar a qualidade dos nossos serviços e reduzir seus custos. Tudo isso nós podemos fazer.

Agora, há alguns que questionam a escala de nossas ambições, que sugerem que nosso sistema não pode tolerar um excesso de grandes planos. Esses não conhecem a rica história da CELU. Pois eles esqueceram o que este esta Casa já fez; o que homens podem conseguir quando a imaginação se une ao objetivo comum, e a necessidade à coragem.

O que os céticos não entendem é que o chão se moveu sob eles -- que as picuinhas de quarto, que nos consumiram por tanto tempo não servem mais.

A pergunta que fazemos é se nosso sistema funciona -- se ele ajuda estudantes a se formarem, se nossa mensalidade é justa o suficiente, se o sistema de punições está correto. Quando a resposta for sim, pretendemos seguir adiante. Quando a resposta for não, vamos mudar. E aqueles de nós que administram a Casa devem reformar os maus hábitos porque somente então poderemos restaurar a confiança vital entre todos os moradores.

Os que ideais ainda iluminam o mundo, não vamos abandoná-los em nome da conveniência. E assim, para que as outras Casas que nos observam hoje saibam que a CELU é amiga de todas as casas, seja ela masculina, feminina ou mista. Saibam todos, que estamos prontos para liderar novamente.

Lembrem que as gerações passadas enfrentaram a ditadura militar e sua perseguição ao Movimento Estudantil.

Somos os mantenedores desse legado. Conduzidos por esses princípios mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior -- maior cooperação e compreensão entre as Casas. Como antigos amigos, devemos trabalhar incansavelmente para reduzir a ameaças de esfacelamento do nosso movimento.

Somos uma Casa de princípios de cristãos. Sabemos que nossa herança multicultural é uma força, e não uma fraqueza. Somos formados por todas as regiões do país e de outros continentes; desta forma só podemos acreditar que os obstáculos que enfrentaremos um dia passarão; que as linhas divisórias logo se dissolverão; e que a CELU deve exercer seu papel trazendo uma nova era de ouro às Casas de Estudantes.

Pois por mais que a Diretoria, o CD ou o CS possam fazer e devam fazer, afinal é com a fé e a determinação de todos os celuenses que contamos. É a bondade recepcionar bem os visitantes, o altruísmo das veias que, e com o forte trabalho na manutenção e restauração do patrimônio.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende nosso sucesso -- trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e amor à CELU-- essas são coisas antigas. São coisas verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso durante toda a nossa história. O que é exigido de nós hoje é uma nova era de responsabilidade -- um reconhecimento, por parte de toda a nossa comunidade, de que temos deveres para nós mesmos, nossa Casa, nossa cidade, estado e o país, deveres que não aceitamos resmungando, mas sim agarramos alegremente, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos em uma tarefa difícil.

Esse é o preço e a promessa da cidadania.

Por isso vamos marcar este dia com lembranças, de quem somos e do longo caminho que percorremos. Há quase 40 anos no nascimento da CELU, o Pr. Richar Wangen se reuniu com um grupo de jovens e aqui solidificaram um ideal.

Durante a guerra da independência americana, quando as dificuldades eram grandes e o seu resultado incerto, George Washington pronunciou:

"Que seja dito ao mundo futuro ... que na profundidade do inverno, quando nada exceto esperança e virtude poderiam sobreviver ... que a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, avançaram para enfrentá-lo".

CELU, diante de nossos perigos comuns, neste inverno de nossa dificuldade, vamos nos lembrar dessas palavras atemporais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar as correntes geladas, e suportar o que vier. Que seja dito pelos celuenses do futuro que quando fomos testados nos recusamos a deixar esta jornada terminar, não viramos as costas nem vacilamos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o ideal que aqui representamos e o entregamos em segurança às futuras gerações.