quinta-feira, 12 de junho de 2014

Comentário sobre a "ajuda" do Governo Federal às enchentes no Paraná

Acho ridículo politizar sobre o assunto, mas para o PT a politicagem é mais importante do que a vida das pessoas e eu não posso aguentar calado.

Os incríveis 32 centavos que o governo federal deu para cada paranaense afetado pelas chuvas são uma puta falta de sacanagem!

Enquanto o Paraná recebeu 140 mil reais para mais de 440 mil pessoas, Santa Catarina recebeu mais de 5 milhões para 20 mil pessoas. Não queremos tratamento diferenciado, queremos isonomia, não precisamos de esmola!

Por isso eu registro meu desprezo (achei melhor que repúdio) a esse governo corrupto, imoral e sem noção; quero mesmo, pelo bem do Brasil, que esse câncer seja extirpado das entranhas da república.

Ahhh... aquela historinha de que o Governo do Paraná não pediu ajuda é mentira! Segunda-feira houve uma reunião aqui em Curitiba com o ministro da integração nacional, na reunião foram mostradas várias fotos sobre a situação do Paraná e foram solicitadas ajuda humanitária imediata (cerca de 5 milhões de reais) e ajuda para o reordenamento dos prejuízos, hoje estimados em 500 milhões de reais. O Governo Federal liberou 140 mil, mas gastou 200 mil com a comitiva que veio a Curitiba.

obs.: quem puder ajudar, continuamos arrecadando donativos, as prioridades são as mesmas: colchões, água, cobertores e roupas de frio

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Estragaram a Copa dos meus sonhos

Se quiser ler o texto até o final, deixo claro um ponto: sou apaixonado por futebol. Sou daqueles que assiste campeonato russo e critica o treinador do Spartak por deixar o Kombarov de fora, sou daqueles que vai amarradão ao Marcelo Stéfani (ou Nabizão) e paga pra ver Bragantino X Santa Cruz.
Acompanho futebol desde que me entendo por gente. Lembro minha mãe repassando a história que seu avô lhe contara que o gol de Ghiggia em 50 fez um silencio tão sepulcral que ouvia-se qualquer ruído feito do Maracanã até as ruas de Belo Horizonte, e vice-versa. Lembro a empolgação do meu pai ao contar como o Pelé destruía as defesas alheias, principalmente a do Corinthians. Histórias dos meus tios, primos, amigos que me fizeram sentir como se estivesse no Morumbi em 74 xingando Rivellino (depois me arrependeria, claro), ou invadindo a via Dutra até chegar ao Maracanã em 76... acho que eu também pulei o alambrado para tentar abraçar o Basílio em 77... passei raiva com a Seleção de 78 que mesmo invicta terminou eliminada... chorei com a decepção de 82 quando Falcão, Sócrates e Zico não ergueram a Copa, mas ainda no começo dos anos 80, junto com Sócrates e Casagrande, meu Timão e eu pedimos a volta da democracia.
Nasci em 86, ano de Copa, provavelmente chutei a barriga da minha mãe quando Zico perdeu o pênalti contra a França. Não só por culpa dos meus primos, todos corinthianos, que contrariei a vontade dos meus pais e não virei santista, uma ausência no time de Lazaroni também tem sua parcela de culpa. A Copa de 90 é primeira memória futebolística que tenho e não foi adquirida dos relatos de terceiros. É daquele time decepcionante, na verdade é uma única lembrança, o questionamento que fiz a minha mãe: “por que aquele cara foi expulso mãe?” a resposta seca de quem sempre se empolga demais com as copas: “porque ele é burro”, Ricardo Gomes acabara de ser expulso contra a Argentina. Naquele mesmo ano o mediano Corinthians foi campeão brasileiro comandado por um Neto genial, surgia o meu corinthianismo, graças ao craque que não foi à Itália, mas, levantou o título nacional. Se o Brasil fosse campeão com Muller e Careca brilhando, eu poderia ser são-paulino, mas Deus é fiel e sabe o que faz...
A Copa de 94 foi a copa da minha vida, desde as eliminatórias, quando Romário foi convocado pelo povo após a derrota do Brasil para a Bolívia, até o pênalti isolado por Baggio. Das lendas Hagi e Stoichkov levarem as medíocres Romênia e Bulgária a eliminações históricas de times como Argentina e Alemanha, ao álbum completo da Copa, me recordo de cada minuto daquele campeonato. Tudo muito organizado, grandioso, estádio fantásticos num país pujante e continental, que irradiava a alegria de receber os melhores jogadores do mundo, de leste a oeste. Do alto dos meus 7 anos de idade sonhei o dia que o Brasil seria um país capaz de organizar um evento grandioso, com estádios fantásticos (como o Pontiac Silverdome) e receber os craques com a nossa devida alegria e o amor, que boa parte da população brasileira nutre pelo futebol.
Desde então se passaram quatro copas, me decepcionei na França, tive a alegria na Ásia, reverenciei Zidane na Alemanha, me emocionei e fiquei preenchido de esperança na África. Emocionei-me com a capacidade dos sul-africanos em querer celebrar sua identidade, seus heróis e sua recente história de permanente luta pela liberdade e pela igualdade. Claro por isso veio a esperança, a próxima Copa seria aqui no Brasil, um país muito mais organizado e estruturado que a África do Sul.
O sonho do menino de 7 anos realizar-se-ia 20 anos depois. Nós brasileiros faríamos um evento grandioso e organizado como os norte-americanos, mas que também seria festivo e simbólico como o dos sul-africanos, era isso o que prometiam o rei, o presidente da CBF e o bobo. A Copa resolveria problemas de mobilidade urbana, infraestrutura aeroviária e de qualificação profissional (afinal, temos todos que receber nossos visitantes com fluência na comunicação anglo-saxã). Sim eu tive esperança, exemplos de legados como Barcelona e Alemanha foram as teses-guia dos discursos e entrevistas, seguiríamos o “padrão FIFA” de qualidade e não haveria dinheiro público nos estádios particulares.
Há menos de uma semana do pontapé inicial na Arena “ostentação” Corinthians, já pudemos ouvir todos os tipos de explicações e desculpas sobre a organização da Copa, desde os Aeroportos “padrão Brasil” até a o conformismos de saber que “o que era pra ser roubado, já foi”...
Estragaram a Copa dos meus sonhos: única coisa grandiosa nessa Copa são os valores exorbitantes de recursos públicos desprendidos nos estádios e o único fato organizado foi o sistemático atraso das obras de mobilidade e infraestrutura. Para completar ao invés de alegria por termos a Copa, vejo indignação, só para usar o exemplo do Paraná, os repasses do Governo Federal para a construção da Arena da Baixada foram todos feitos, sem nenhum atraso e/ou questionamentos acerca da capacidade de o Paraná recebê-los, já os recursos para saúde, educação e infraestrutura estão há cerca de um ano parados, apesar dos pareceres judiciais favoráveis, a cada dia inventa-se alguma desculpa para que os recursos não sejam repassados ao estado.
Nesse ano de Copa, ao invés da alegria, a indignação com a situação do Brasil que é endêmica. 

Mas isso não vai impedir de que eu acompanhe a Copa, colecione as figurinhas do álbum, torça para que craques como Messi, Cristiano Ronaldo e Van Persie brilhem, participe de bolões, vá aos estádios e vibre com a Seleção. O que quero mesmo é que essa Copa seja como as outras: um marco em minha vida. Assim como 90 me fez coritnhiano, 98 significou a mudança da minha família para outra cidade e 2010 mostrou a importância da liberdade, da igualdade e da valorização de nossas raízes; espero que a Copa de 2014 seja o marco da mudança daquilo que nós brasileiros não suportamos mais, da quebra do paradigma de que o “jeitinho” supera o planejamento e o fim da esculhambação geral da república.