domingo, 15 de março de 2015

Vamos deixar a democracia seguir seu curso

Não aguentei, não posso ficar quieto. É muita asneira num país só: nas redes sociais, pseudo-blogueiros e até alguns jornalistas que, de certa maneira eu respeito.
Não, não sou da elite branca-pequeno-burguesa-paulista-conservadora-cristã. De todos esses adjetivos que o PT e suas adjacências tentam rotular quem lhes opõe, só me cabem “paulista” e “cristão” (meus amigos sabem que sou um cristão heterodoxo...), sou alguém que, como a maior parte dos brasileiros, sobrevive com a renda resultante do meu trabalho, sou negro, neto de nordestinos por parte de pai e descendente de escravos por parte de mãe. Alguns vão dizer “Edson você tem filiação partidária na oposição”, respondo que sim, mas isso não quer dizer que as pautas que defendo são anti-democráticas ou golpistas, acredito que a democracia é um valor fundamental, assim como a liberdade e sou movido, como maior parte dos brasileiros, por estar cansado. Vou às ruas pois (além do retorno da inflação) fundamentalmente, quatro pontos me incomodam muito:
1. Um sistema político que favorece os poucos que tem acesso a grandes recursos e à mídia; um sistema distante da população e seus anseios; um sistema que não reflete a proporcionalidade regional do país, dos estados e municípios e, muito menos, reflete a pluralidade ideológica do país.
2. Uma administração pública pesada (em todos os níveis da federação), que gasta mais tempo consigo mesmo do que resolvendo os problemas da população; administração essa que é refém das corporações, em suma, uma administração vítima da burocracia e do corporativismo, dois cupins da democracia.
3. Um sistema tributário/federativo bagunçado que pune quem gera receita, emprego e renda; um sistema que arrecada ferozmente, mas não dá a contrapartida aos municípios, cada vez mais pobres, nem à população que não enxerga nem entende o ralo que some com os recursos.
4. A corrupção institucionalizada no governo federal, que tem no Petrolão e as ações da Operação Lava-Jato um símbolo. Defender a Petrobras é gritar por uma investigação limpa, sem interferências, com um julgamento correto, sem companheiros-juízes e pela punição dos culpados. Nossa maior empresa foi sistematicamente pilhada por uma quadrilha que intenta a manutenção do poder de um grupo esquerdopata (atenção, disse esquerdopata, me considero ideologicamente mais alinhado à esquerda que à direita...) e que lança mão de um discurso odioso que separa os brasileiros, ao invés de unir.
Essa semana fui interpelado com a mesma pergunta várias vezes “Será que ir pra rua vai resolver alguma coisa?”, eu realmente não sei, mas não é do meu feitio ser espectador da história, quero ser um agente desse momento de mudança do país.
Vamos deixar a democracia seguir seu curso, vale lembrar que impeachment é não golpismo, é um dispositivo constitucional. O Brasil é um país doente, o tratamento é a radicalização da democracia. Dilma e o PT, até agora, se mostraram incompetentes na administração das dificuldades e crise (causadas pela incompetência e corrupção deste governo), ou o governo se toca e faz as mudanças que o país precisa ou o povo vai continuar nas ruas e vai mudar esse governo, como a democracia e a Constituição preveem.